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Poesia à Mão

Ouço, entrevejo, faço e comento poesia

Por Pedro Marques

31 jul. 2010

O Sol nunca foi tão generoso para quem queira se espalhar pelos meios de informação. Os versos voam da língua para o ouvido, pulam das páginas aos olhos, capturados por celulares atravessam continentes, arrancam com os ônibus e até chegam em sacos de pão. A poesia jamais curtiu tantos canais. Hoje há até recursos institucionais para ações voltadas para oferecer conteúdos, às vezes relapsas em avaliar se a leitura de fato se deu.

Se nunca houve tanta poesia a berrar, também seus gritos jamais esbarraram em tanta surdez. Curiosamente, quase surgem mais aspirantes que leitores de poesia. O jorro atual de poetas inaptos destoa do pinga-pinga que é formar apreciadores competentes. Estes deveriam ser pré-requisito para aqueles... O professor, sobretudo o herói do sistema público, joga sementes. O poeta ainda se mexe pouco, fala o que não escuta: que é mole reclamar da falta de leitores, como da água que acaba no domingo.

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