Vias de Encontro

 

A avenida do encontro
Está nas ruas livres, nos cantos
Na alameda dos botecos
Praça dos bumbuns inquietos
Na confiança nua nos bares
Coreto de acesos olhares
Na viela da coragem
Pinguela sem paragem

A marginal do encontro
É um viaduto sem acesso, um antro
Uma rotatória infinita
Ponte turbo-aérea-ríspida
Um porto de rodagem bêbado
Em ondas de engarrafamento
Um estacionamento avulso
Para nos manobrarmos com tudo

O rio do encontro
É um gasoduto do amor, um santo
Um elevador de ânimos
Feliz e deserta escada rolante
Uma hidrovia volante do gosto
Flechas para a estrada do sonho
Um trem descarrilado ao luar
Metrô desembocando alto no mar

 

Pedro Marques: letra
Rodrigo Duarte: melodia
Rodrigo Duarte: interpretação

(Rodrigo Duarte, Vias de encontro, Campinas-SP, 2014.)

Por Pedro Marques
03 nov. 2014

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