Vinagre

Perdendo o povo o sono com a falta de transporte e o excesso de certo esporte.
Assunto heróico da nossa presente Folia.

Quadras

Nas quadras dessa cidade
a multidão arredonda
um-cem-mil gritos num só
e tiro algum vence a onda

Nas quadras dessa cidade
um vasto lençol de gente
cobre lobões e ratinhos,
os medrosos dessa enchente

Nas quadras dessa cidade
povo esmerilha destino,
enfaixa o descaso aos berros:
“Eu me mando! Eu me amotino!”

Nas quadras dessa cidade
a mídia dança de quatro,
os partidos repartidos
vão de plateia no teatro

Nas quadras dessa cidade
o verso nervoso entorta
a paz enquadrada a gás
– que governo me comporta?

 

(Vinagre: uma antologia de poetas neobarracos, Brasil, junho de 2013.)

Por Pedro Marques
23 set. 2013

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